
Principais indicações da onda de choque para problemas no ombro
11/11/2025Quando indicar onda de choque para problemas no pé e tornozelo?
Se você tem uma dor no pé ou tornozelo que persiste há mais de um ou dois meses e teme precisar de cirurgia, este artigo é para você. Vou mostrar uma solução eficaz e prática que pode aliviar seu problema sem grandes esforços e ajudá-lo a voltar às suas atividades favoritas. Para o tratamento dar certo, é essencial conhecer quais lesões realmente se beneficiam das ondas de choque e o que observar para não perder tempo nem dinheiro com o procedimento.
O tratamento com ondas de choque não tem nada a ver com aqueles aparelhos que dão choques elétricos usados na fisioterapia. Estamos falando de um tratamento médico moderno, que utiliza ondas mecânicas de alta intensidade para estimular a recuperação dos tecidos, uma tecnologia eficaz que muita gente ainda desconhece.
Afinal, o que é uma onda de choque?
A onda de choque é uma onda mecânica de alta energia, e não um choque elétrico. O nome vem da física, o que acaba gerando confusão e até enganos entre pacientes.
Inicialmente usada na medicina para quebrar pedras nos rins (litotripsia extracorpórea), com o tempo passou a ser aplicada também na ortopedia, por estimular a cicatrização, reparação e regeneração de tecidos como tendões e ossos. Atualmente, existem dois tipos principais de equipamentos: focal e radial.
Onda de choque radial
A onda de choque radial, (equipamento abaixo), na realidade não é uma onda de choque de verdade, o termo correto é “onda de pressão”.

Geralmente é um equipamento pneumático que faz essa onda e por ser um equipamento mais simples e barato é o mais comum de encontrar.
Por isso, não confunda com equipamentos de massagem! Alguns pacientes já me contaram que fizeram “onda de choque”, mas o profissional usou uma pistola de massagem, o que não tem nada a ver com o tratamento real.
A verdadeira onda de choque é feita com o equipamento de ondas de choque focal, o único capaz de gerar o efeito terapêutico profundo e eficaz.
Onda de choque focal

Atualmente, a maioria dos equipamentos de onda de choque focal no Brasil é do tipo piezoelétrico, como o mostrado na imagem. Muita gente pensa que é tudo igual, que o efeito é o mesmo, mas não é.
Para começar, um equipamento piezoelétrico custa em média duas a três vezes mais que um bom equipamento radial, (sem contar aqueles aparelhos vendidos em sites, que nem se comparam em qualidade). Agora, veja as principais diferenças entre eles:

Como vocês conseguem ver nessa imagem, a energia do focal é concentrada em um ponto abaixo da pele, assim conseguimos entregar uma energia maior, com uma profundidade maior e com menos dor, pois na onda de pressão radial a energia maior é na superfície da pele e ela vai diminuindo conforme entra para dentro do corpo.
A pele é a região que tem mais terminação nervosa de sensibilidade, assim, a energia é maior não na lesão, mas na pele, que é a região mais sensível. Para conseguir “ver de verdade” a onda, colocamos os dois equipamentos que eu tenho: o focal e o radial, em uma comparação lado a lado.

Mesmo usando um aparelho radial europeu de alta qualidade, ele ainda é muito inferior ao focal, imagine então os modelos genéricos que circulam por aí. Por isso, tenho investido cada vez mais em equipamentos focais, inclusive com a compra recente de um novo modelo alemão para a clínica. Agora você deve estar se perguntando:
Mas, afinal, o que essas ondas fazem no corpo?
Algumas células do nosso corpo, como as do osso, músculo e tendão, são sensíveis a estímulos mecânicos. Quando estimuladas, elas aumentam a produção de proteínas e se fortalecem, como acontece na musculação, em que o esforço faz o músculo crescer.
Acelera a cicatrização de fissuras e rupturas pequenas e regeneração dos tecidos com tendinopatia. A onda de choque também tem efeito na modulação da dor e inflamação crônica, ajudando no processo de recuperação.
Por ter um efeito mecânico de alta intensidade, a onda de choque consegue soltar nós musculares, quebrar calcificações dentro de tendões e estimula o osso de forma positiva.
Inclusive os primeiros usos da onda de choque na ortopedia eram para tratar as tendinopatias calcáreas e fazer o osso colar e revascularizar. Sendo indicado para edema ósseo, osteonecrose, fratura por estresse e fraturas que não estão consolidando dentro do prazo.
Utiliza-se a onda de choque principalmente para tratar a causa da dor, e não apenas para aliviá-la. Seu foco é curativo, não paliativo. Mas é importante entender que não regenera cartilagem, nem corrige deformidades ósseas. Ou seja, em casos como rupturas grandes de tendão, joanete ou pé chato, ela não vai unir estruturas afastadas nem mudar o formato do pé.
Mesmo assim, é um tratamento que complementa outras terapias e tem ajudado a evitar muitas cirurgias e infiltrações. Apesar de ser cirurgião e ainda operar, eu fundei a Prestige Care que é uma clínica voltada para o tratamento não invasivo e minimamente invasivo de dores e lesões ortopédicas.
Lesões específicas tratadas com onda de choque no pé e tornozelo
Eu já utilizei a onda de choque no tratamento de praticamente todas as tendinopatias e fasciopatias do pé e tornozelo, desde as mais comuns, como a fascite plantar e a tendinopatia do tendão de Aquiles, até as menos frequentes, como as do tibial anterior, tibial posterior e dos tendões fibulares.
Afinal, por que essas lesões acontecem e quando a onda de choque é necessária no tratamento?
Tendinopatia é o termo médico que significa doença no tendão. O tendão é aquela estrutura fibrosa branca que junta o musculo ao osso.
A fascia é muito parecida com o tendão, tem o mesmo tipo de colágeno e células, a diferença que a fáscia é mais aberta, plana e no caso do pé ela fica na planta, por isso, que chama fáscia plantar.

Tanto na tendinopatia quanto na fascite, a presença de uma inflamação crônica ou a falta de fortalecimento adequado ao longo do tempo pode levar ao enfraquecimento e à degeneração do tendão ou da fáscia. Observa-se isso claramente neste modelo anatômico:

O problema dessas tendinopatia crônica, que pode ser chamada de tendinose, é o tendão ele perde a resistência dele. A circulação fica prejudicada e as fibras de colágeno diminuem sua quantidade e qualidade. Elas ficam desorganizadas, como representada nessas imagens:

Com o tempo, essa perda de resistência pode levar à sua ruptura. Assim, a onda de choque é extremamente importante para prevenir que isso aconteça, além de simplesmente melhorar a dor.
Ruptura do tendão de Aquiles e do tibial posterior
A ruptura do tendão de Aquiles e do tibial posterior são comuns mesmo sem um trauma cortante e quando acontecem, muitas vezes precisa de cirurgia e longos períodos com imobilização e sem pisar no chão. Por isso, é ideal tratar antes de chegar nesse ponto.
A onda de choque auxilia na redução da inflamação crônica e vai estimular a produção de colágeno novo, multiplicação de células desses tecidos e vasos sanguíneos, estimulando a cicatrização, regeneração e recuperação desse tendão ou fáscia doentes.
Se você tem uma tendinopatia que não melhora com o tempo ou com o tratamento convencional, ou se o exame mostra inflamação ou degeneração do tendão, vale considerar a terapia por onda de choque.
A tendinopatia do Aquiles, também chamada de tendinopatia calcânea, causa dor na parte de trás do tornozelo. Pode ser insercional, onde se prende ao osso ou não insercional, um pouco mais pra cima.



Fascite
Já a fascite plantar, apesar de cobrir quase toda a sola do pé, costuma causar dor mais na parte interna do calcanhar. Como mostra essa imagem:



A fascite plantar é uma das doenças com maior índice de bons resultados com a onda de choque, chegando em alguns estudos até 90% de bons resultados.
Uma outra causa comum de dor na planta do pé é confundida com a fascite, é a tendinite do tibial posterior. A dor pode acontecer em toda essa região em vermelho, também acontecer uma forma insercional, mais na planta do pé e uma não insercional, mais perto do maléolo.


Assim como o tendão de Aquiles, o tendão tibial posterior pode se romper, fazendo o pé desabar e se tornar um pé plano (pé chato). Quando isso acontece, pode evoluir para artrose grave e dor crônica, por isso é essencial tratar a lesão precocemente.
Outras tendinopatias também podem ser tratadas com ondas de choque ou laser de alta potência, como as dos fibulares e dos dorsiflexores, incluindo o tibial anterior, causando dor na parte de cima e de fora do pé e tornozelo.
A onda de choque também pode ajudar a reduzir inflamações em casos de bursites e neuropatias, embora, dependendo do caso, eu prefira usar o laser de alta potência. A bursite mais comum no pé e tornozelo é a do calcâneo, geralmente associada à tendinopatia do Aquiles.
Neuropatias
Entre as neuropatias mais frequentes, estão o túnel do tarso e o neuroma de Morton, que causam dor e formigamento nos dedos. O objetivo do tratamento é diminuir a inflamação que comprime o nervo, além de reduzir a inflamação do próprio nervo e estimular sua regeneração.
A onda de choque pode ser bem dolorosa nessa região, por isso costumo iniciar o tratamento com o laser de alta potência, antes de considerar uma cirurgia. A onda de choque não é indicada para neuropatia diabética, pois ainda não há estudos que comprovem sua eficácia.
Lesões ósseas
Falando em ossos, a onda de choque tem resultados ainda melhores e, nesses casos, o equipamento ideal é o focal, pois ele alcança maior profundidade e entrega mais energia diretamente no osso. Ela estimula a consolidação de fraturas e edemas ósseos, atuando diretamente nas células ósseas.
Normalmente, não é indicada logo após a fratura ou em casos operados, mas pode ser usada quando a recuperação está lenta, ajudando a acelerar o processo de consolidação. Um exemplo comum é o edema ósseo ou fratura por impacto que pode ocorrer após entorses de tornozelo.

Esse é um caso de fratura que, após 7 meses, ainda não mostrava sinais de consolidação, algo comum em fraturas dos metatarsos. Antigamente, seria preciso reoperar e usar enxerto da bacia, mas com a onda de choque, o osso consolidou sem cirurgia. Mas é possível notar a evolução ao longo do tratamento.



A onda de choque pode ser usada também nos casos de osteonecrose, que é quando acontece um infarto no osso e uma parte dele morre. No caso do pé é mais comum no navicular e as vezes no tálus.

Osteonecroses
A onda de choque deve ser indicada nas osteonecroses ainda em estágio inicial, antes que ocorra deformação do osso. Se o tratamento começa tarde, mesmo controlando a necrose, o osso já pode estar afundado, o que leva ao colapso articular e à artrose grave no pé.
Neste caso, o paciente apresentou edema ósseo e fratura subcondral no fêmur, que evoluiu para uma pequena área de osteonecrose. Após quatro sessões de onda de choque focal, veja o antes e depois de dois meses de tratamento:

A onda de choque funciona muito bem nesses casos, e na minha opinião melhor que uma cirurgia, pois ela age exatamente no problema: na falta de circulação, fragilidade óssea e morte celular.
As lesões de ligamentos, cartilagem e artrose
Em todos esses casos, a onda de choque não substitui a cirurgia nem outros tratamentos, como o ácido hialurônico. Cada situação pede uma abordagem diferente, em alguns casos, ela é a melhor opção; em outros, há alternativas mais indicadas.
A onda de choque não regenera cartilagem, não une ligamentos rompidos e não reverte artrose, mas, mesmo assim, pode ser muito eficaz em determinados casos, trazendo excelentes resultados e satisfação aos pacientes.
Entenda quando a onda de choque pode ser indicada nesses casos
Em lesões ligamentares, o raciocínio é simples: se a lesão é cirúrgica, a onda de choque não tem indicação. Mas em lesões não cirúrgicas, como após um entorse de tornozelo, o ligamento pode estar estável, e mesmo assim o paciente segue com dor, geralmente por cicatrização incompleta ou edema ósseo mal resolvido.
Nessas situações, a onda de choque pode ajudar, estimulando o remodelamento do ligamento e acelerando a recuperação do osso.
Nos ligamentos, a onda de choque pode auxiliar em casos de artrofibrose após cirurgia, mas é essencial iniciar o tratamento precocemente, após alguns meses, a fibrose se torna rígida e só a cirurgia resolve. Com isso, entendemos quando indicar a onda de choque também em lesões de cartilagem e artrose.
Nessas situações, é comum haver edema ósseo sob a lesão ou até uma osteocondrite dissecante, especialmente no tálus. Na artrose do pé, também podem ocorrer tendinopatias, fascites e edemas ósseos, que respondem bem à onda de choque, ajudando o paciente a reduzir a dor e retomar a função.
Ainda assim, pode associar o uso de palmilhas, ácido hialurônico ou o laser de alta potência. Aliás, o laser de alta potência funciona muito bem para as lesões agudas, como um entorse de tornozelo ou uma tendinite ou fascite aguda.
Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista, membro da sociedade brasileira de ondas de choque, com mais de 4.000 sessões desse tratamento nos últimos anos.
Para saber mais sobre ondas de choque e sua indicação, acesse o canal do YouTube do Dr. Oliver Ulson.



