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Se você sente dor no ombro a mais de 1 ou 2 meses, sem melhora e com receio de precisar de cirurgia, este artigo vai te mostrar uma solução simples e eficaz para aliviar o problema e ajudar você a voltar às suas atividades favoritas.
Neste artigo, vou explicar quais lesões realmente se beneficiam das ondas de choque e o que você deve observar para não perder tempo nem dinheiro. Por isso, continue lendo!
O que é uma onda de choque?
A onda de choque é uma onda mecânica e acústica de alta energia, não um choque elétrico. Ela recebe esse nome por definição física, mas essa terminologia acaba gerando confusão e, infelizmente, muitas pessoas são enganadas por isso.
A onda de choque começou a ser usada na medicina para quebrar pedras nos rins, que é a litotripsia extracorpórea e depois, com o passar dos anos, mais pesquisas foram feitas e seu uso passou a ser maior na ortopedia, estimulando a cicatrização, reparação e regeneração de alguns tipos de tecidos, como tendões e ossos.
Quais os equipamentos usados para a onda de choque?
Existem dois tipos de equipamentos: o focal e o radial. A onda de choque radial na realidade não é uma onda de choque de verdade, o termo correto é “onda de pressão”.

Geralmente é um equipamento pneumático que faz essa onda e por ser um equipamento mais simples e barato, é o mais comum de encontrar. Não confunda com aparelhos de massagem! Já ouvi vários pacientes relatarem que fizeram “onda de choque”, mas o profissional usou apenas uma pistola de massagem.
O outro equipamento de onda de choque que existe é o equipamento de ondas de choque focal, esse é a verdadeira onda de choque.

Custo dos equipamentos
Para começar, um equipamento piezoelétrico custa pelo menos duas a três vezes mais que um aparelho radial de boa qualidade. Entenda as diferenças entre eles:

A onda de choque focal concentra a energia em um ponto abaixo da pele, permitindo maior profundidade e potência com menos dor. Já a onda de pressão radial tem energia mais intensa na superfície, que diminui à medida que penetra no corpo.
A pele é a região que tem mais terminação nervosa de sensibilidade, assim, a energia é maior não na lesão, mas na pele, que é a região mais sensível.

O equipamento radial que uso na clínica é de altíssima qualidade, europeu, de uma das melhores marcas do mundo, mas ainda assim fica bem abaixo do desempenho de um aparelho focal.
Agora imagine os equipamentos genéricos que muita gente utiliza por aí dificilmente trazem algum resultado. Por isso, tenho investido cada vez mais em aparelhos focais e, recentemente, adquiri mais um modelo alemão para a clínica.
O que as ondas fazem de verdade no nosso corpo?
As ondas de choque produzem vários efeitos no nosso corpo, o primeiro deles é chamado mecanotransdução, mas calma. Basicamente, algumas células do nosso corpo respondem a estímulos mecânicos, como acontece nos ossos, músculos e tendões. Quando elas têm esse estímulo, elas produzem mais proteínas etc.
Uma forma fácil de entender é pensa na musculação: a pessoa coloca carga no músculo e ele produz mais proteína ficando mais forte. A onda de choque faz uma coisa parecida, mas em outras células.
No corpo, a onda de choque estimula a produção de colágeno, a regeneração celular e a formação de novos vasos sanguíneos, melhorando a circulação e acelerando a reparação tecidual.
Ela favorece a cicatrização de pequenas rupturas, a regeneração de tecidos degenerados e ainda modula a dor e a inflamação crônica, contribuindo para uma recuperação mais rápida e eficaz.
Por ter um efeito mecânico de alta intensidade, a onda de choque consegue soltar nós musculares, quebrar calcificações dentro de tendões e estimula o osso de forma positiva.
Quando a onda de choque é indicada?
Os primeiros usos da onda de choque na ortopedia foram voltados ao tratamento de tendinopatias calcificadas e à estimulação da consolidação óssea e da revascularização.
Atualmente, ela é indicada para edema ósseo, osteonecrose, fraturas por estresse e fraturas que demoram a consolidar. Na maioria dos casos, a onda de choque atua tratando a causa da dor, e não apenas aliviando os sintomas, ou seja, é um tratamento com objetivo curativo, não paliativo.
A onda de choque não é mágica, pois não regenera cartilagem nem “cola” tendões, ligamentos ou meniscos rompidos. Seu papel é complementar outros tratamentos do ombro, e em alguns casos ainda indico cirurgia ou infiltrações com ácido hialurônico.
Apesar de ser cirurgião, fundei a Prestige Care, uma clínica focada em tratamentos não invasivos e minimamente invasivos para dores e lesões ortopédicas. Isso me permite ter uma visão equilibrada e saber quando realmente é necessário operar e quando dá para tratar sem cirurgia.
Lesões do ombro que podem ser tratadas com onda de choque
Já utilizei a onda de choque para tratar praticamente todas as tendinopatias do ombro, desde as mais comuns, como as do supraespinhal, infraespinhal, subescapular e bíceps até as do redondo menor, coracobraquial, deltóide e peitoral.
Mas afinal, por que é tão útil nesses casos?A tendinopatia é uma alteração no tendão, estrutura fibrosa que liga o músculo ao osso e engloba tanto a tendinite quanto a tendinose. Nessas situações, a onda de choque ajuda a estimular a recuperação do tecido e aliviar a dor.

Muitas vezes uma inflamação crônica ou falta de fortalecimento com o tempo leva ao enfraquecimento do tendão e sua degeneração. Como pode ver nesse modelo anatômico:

Na tendinopatia crônica (ou tendinose), o tendão perde resistência devido à má circulação e à degeneração das fibras de colágeno, que ficam desorganizadas. Com o tempo, essa fragilidade pode evoluir para ruptura.





Assim, a onda de choque é extremamente útil para prevenir que isso aconteça, além de simplesmente melhorar a dor. Quando chega num ponto desses com uma ruptura maior, ou seja, uma lesão transfixantes, como esse último exemplo,
o caso é resolvido melhor com cirurgia, não tem jeito, por isso precisa tratar antes de chegar nesse ponto.
Tendinopatia do manguito rotador
As tendinopatia do manguito rotador incluem o supra espinhal, infraespinhal, redondo menor e subescapular, assim como para outras tendinopatias do ombro. Indica-se a onda de choque para os casos com lesões não transfixantes, ou seja, que não atravessam o tendão totalmente de um lado para o outro.
Quando o tendão ainda está fixo ao osso, a onda de choque estimula a cicatrização e o fortalecimento do tecido. Em pequenas lesões, especialmente em idosos que evitam cirurgia, pode ser indicada, com acompanhamento clínico e por imagem.
A onda de choque reduz a inflamação crônica e estimula a produção de colágeno, a proliferação celular e a formação de novos vasos sanguíneos, promovendo a recuperação e a regeneração do tendão.
Se você tem uma tendinopatia que não melhora com o tempo ou com o tratamento convencional, ou se os exames mostram inflamação ou degeneração do tendão, vale a pena considerar a terapia por onda de choque.
Ela também é muito eficaz na redução da inflamação das bursites, frequentemente associadas às lesões do manguito rotador, além de apresentar excelentes resultados em casos de capsulite adesiva e tendinopatia calcária. E, se a sua dor no ombro é mais recente ou aguda, existe uma tecnologia ainda mais moderna para o alívio da dor.
Bursite
A bursite acontece quando inflama a bursa, a bursa nada mais é do uma pequena “bolsinha” cheia de líquido que está aqui em verde e no caso do ombro a mais comum de inflamar é a que fica entre o acrômio e o supraespinhal. Essa inflamação causa dor, especialmente quando você levanta o braço.
Mas na maioria das vezes a bursite não é o grande problema, mas sim uma consequência da lesão do tendão e sobrecarga no local.

Quando tratadas as lesões do manguito, trata também essas bursites.
Capsulite adesiva
A capsulite adesiva é também conhecida como ombro congelado, ele vai ficando cada vez mais rígido, sem movimento, como se estivesse travado. A capsula articular (uma “capa”) que envolve a articulação do ombro, fica espessa, dura, fibrosada, limitando o movimento.

Na primeira fase, chamada dolorosa, o paciente apresenta dor intensa que pode durar meses se não houver tratamento adequado. Na segunda fase, ou fase do congelamento, a dor tende a diminuir, mas a rigidez do ombro piora progressivamente.
Já na fase de recuperação, o movimento melhora aos poucos, mas lentamente. A dor e a limitação afetam atividades diárias, trabalho, esportes e até o sono. Quando não tratada precocemente e de forma adequada, a restrição pode durar anos.
Objetivo do tratamento
O objetivo central do tratamento é manter a mobilidade do ombro com muito alongamento. O grande problema é que costuma doer bastante, então o tratamento tradicional é com infiltrações semanais com anestésico.
A principal vantagem da terapia por onda de choque é aliviar a dor, flexibilizar a cápsula articular e estimular a reversão da capsulite, acelerando significativamente a recuperação. Muitos pacientes que levariam meses para notar melhora hoje apresentam evolução rápida, geralmente em poucas semanas e após poucas sessões.
Essas doenças, na fase aguda, costumam causar muita dor e demoram a se recuperar. Por isso, o laser de alta potência surge como uma tecnologia moderna que complementa a onda de choque.
Ainda pouco difundido no Brasil, o laser de alta potência (classe 4) é uma tecnologia médica avançada, usada principalmente em centros esportivos, que reduz inflamação e dor, melhora a mobilidade e estimula a regeneração tecidual.
Ao contrário dos medicamentos, atua de forma reparadora e regenerativa, acelerando a recuperação. Não substitui a onda de choque, ambos têm efeitos distintos e complementares.
Tendinopatia calcária
A tendinopatia calcária é uma condição dolorosa do ombro causada pelo acúmulo de pequenos depósitos de cálcio nos tendões, que irritam os tecidos ao redor. A terapia por ondas de choque costuma oferecer resultados superiores aos da cirurgia, aliviando a dor e estimulando a reabsorção desses depósitos.

A tendinite calcária é mais comum em mulheres de 40 a 60 anos e resulta da degeneração do tendão. A dor começa leve e crônica durante a formação do cálcio, mas pode se tornar intensa na fase de reabsorção. Sem tratamento, pode durar anos.
O tratamento tradicional envolve fisioterapia e analgésicos, aguardando a regressão espontânea da calcificação. Caso isso não ocorra, pode ser necessária cirurgia para retirar o depósito de cálcio, exigindo recuperação prolongada.
A onda de choque focal usa alta energia para fragmentar e estimular a reabsorção natural das calcificações, tecnologia derivada do tratamento de pedras nos rins. Mesmo sem reabsorção total em todos os casos, a maioria dos pacientes apresenta grande melhora na dor e na função.

A onda de choque é mais eficaz quando a calcificação está sólida. Já na fase em que ela se torna mais “pastosa”, pode ser indicada a aspiração guiada por ultrassom, que não funciona bem nas calcificações sólidas. Durante a fase aguda, a onda de choque pode aumentar a dor, e nesses casos o laser de alta potência é a melhor opção.
As síndromes dolorosas miofasciais
Essa síndrome é comum e muitas vezes passa sem diagnóstico. Causa dor em pontadas, com ardor ou queimação irradiada, geralmente na região dorsal e ao redor da escápula, surgindo com frequência em períodos de estresse ou esforço prolongado.

Essa síndrome é frequente e frequentemente subdiagnosticada. Provoca dor em pontadas, com ardor ou queimação irradiada na região dorsal e ao redor da escápula, geralmente desencadeada por estresse ou sobrecarga muscular.
A onda de choque funciona muito bem nesses casos, porque o efeito mecânico dela dissolve muito bem esses nós e além disso, reduz a inflamação e ativa a circulação novamente, acelerando muito o processo de recuperação.
Como essas contraturas são recorrentes, é importante tratar junto a causa origem do problema. Geralmente relacionada à postura errada, falta de alongamento, fortalecimento e causas emocionais.
Lesões no osso
Para lesões ósseas, a onda de choque focal é sempre a mais indicada, pois atinge maior profundidade e energia, agindo diretamente nas células ósseas e estimulando a consolidação de fraturas e edemas ósseos.
Não deve ser usada em fraturas recentes ou recém-operadas, mas é altamente eficaz quando há atraso na cicatrização ou dificuldade de consolidação. Por exemplo: dois casos de fraturas da clavícula e úmero, que operaram, mas mesmo assim o osso não consolidou depois de 7 meses.



Outras indicações para a onda de choque no ombro são os casos de edema ósseo e osteonecrose, elas são menos comuns no ombro do que no quadril e joelho, mas tem a mesma indicação de tratamento.
A osteonecrose é quando acontece um infarto no osso e uma parte dele morre:


A terapia por ondas de choque deve ser indicada nos estágios iniciais da osteonecrose, antes que ocorram deformações ósseas. Caso contrário, mesmo com a recuperação da necrose, o osso deformado pode evoluir para artrose, especialmente no ombro.
Como exemplo, foi apresentado um caso no joelho: o paciente teve edema ósseo com fratura subcondral do fêmur, manteve a sobrecarga e desenvolveu uma pequena área de osteonecrose. Após quatro sessões de ondas de choque focais, observou-se melhora apenas dois meses de tratamento:

A onda de choque é altamente eficaz nesses casos, muitas vezes melhor que a cirurgia, pois atua diretamente na causa do problema, melhorando a circulação, a resistência óssea e reduzindo a morte celular.
Entenda as lesões de ligamentos, labrum, cartilagem e artrose
A onda de choque não substitui a cirurgia nem outros tratamentos, como o ácido hialurônico, cada caso deve ser avaliado individualmente. Embora não regenere cartilagem nem repare ligamentos ou artrose, pode oferecer alívio e bons resultados quando bem indicada.
Em lesões ligamentares ou de labrum cirúrgicas, a onda de choque não é indicada, pois não reconecta ligamentos nem recoloca o labrum. Porém, pode ser útil em casos de dor persistente após o tratamento, causada por cicatrizes ou má cicatrização ao estimular o remodelamento tecidual e acelerar a recuperação.
Mostra bons resultados em dores e rigidez pós-cirúrgicas, especialmente quando associada à fisioterapia. Assim como na capsulite adesiva, é eficaz na rigidez pós-operatória e artrofibrose, desde que aplicada precocemente, antes que a fibrose exija intervenção cirúrgica.
Com essas explicações, fica claro quando indicar a onda de choque em lesões de cartilagem e artrose. Nesses casos, ela não trata a degeneração diretamente, mas pode aliviar dores associadas a condições como edema ósseo, tendinopatias, bursites ou fraturas por insuficiência, ajudando o paciente a recuperar a função.
O tratamento pode ser potencializado com o uso combinado de ácido hialurônico ou laser de alta potência.
Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista, membro da sociedade brasileira de ondas de choque, com mais de 4.000 sessões desse tratamento nos últimos anos.
Para saber mais sobre ondas de choque e sua indicação, acesse o canal do YouTube do Dr. Oliver Ulson.



