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Sentir dor no cotovelo que insiste em não melhorar, mesmo após semanas ou até meses, é uma situação que preocupa, especialmente quando surge o medo de que a única saída seja a cirurgia. Esse tipo de dor costuma atrapalhar tarefas simples do dia a dia, como levantar objetos, digitar ou até praticar esportes, e, assim, acaba impactando a rotina e a qualidade de vida.
A boa notícia é que, em muitos casos, é possível resolver o problema sem precisar de cirurgia. Neste artigo, o médico vai explicar uma solução prática, eficaz e que não exige grandes esforços, permitindo que o paciente volte a fazer o que gosta com segurança. Mas, para que o tratamento realmente funcione, existem detalhes importantes que precisam ser observados.
Você vai entender quais lesões do cotovelo a terapia por ondas de choque pode tratar, o que observar antes de iniciar o tratamento e como evitar gastar tempo e dinheiro sem necessidade.
Além disso, vale lembrar que o tratamento com ondas de choque não tem relação com o “choque elétrico” usado na fisioterapia. Ele utiliza ondas mecânicas de alta intensidade, aplicadas por um médico, com o objetivo de estimular a regeneração dos tecidos e aliviar a dor de forma mais rápida e duradoura.
O que é a onda de choque
A onda de choque é uma onda mecânica, acústica e de alta energia, totalmente diferente do choque elétrico usado em alguns tratamentos de fisioterapia. O nome vem da física, e muitas pessoas acabam imaginando algo que “dá choque”, quando na verdade se trata de um impulso mecânico que se propaga nos tecidos, assim, estimulando uma resposta de recuperação no organismo.
Esse método começou a ser usado na medicina há várias décadas, inicialmente para quebrar pedras nos rins, um procedimento conhecido como litotripsia extracorpórea. Com o tempo, os estudos mostraram que as ondas de choque também podiam ter um efeito muito positivo em tecidos lesionados, como tendões e ossos, ajudando no processo de cicatrização, reparação e regeneração.
Hoje, a ortopedia utiliza muito essa tecnologia, que oferece uma alternativa eficaz e não invasiva para tratar diferentes tipos de lesões e dores persistentes.
Tipos de equipamentos: focal e radial
Existem dois tipos principais de equipamentos usados na terapia por ondas de choque: o radial e o focal. Embora ambos sejam utilizados com o mesmo propósito, ou seja, estimular a recuperação dos tecidos e aliviar a dor, eles funcionam de maneiras bem diferentes.
O equipamento radial, que é o mais comum, na verdade não gera uma onda de choque verdadeira, e sim uma onda de pressão, produzida por um sistema pneumático. Por ser mais simples e ter um custo menor, ele se tornou o mais utilizado em clínicas. No entanto, alguns pacientes relatam que confundiram esse aparelho com equipamentos de massagem e acabaram sendo enganados, acreditando que estavam fazendo tratamento com ondas de choque quando, na verdade, usavam apenas uma pistola de massagem.

Já o equipamento focal é o que gera a verdadeira onda de choque. A maioria dos aparelhos usados no Brasil é do tipo piezoelétrico, como o utilizado pelo Dr. Oliver na clínica. Esses equipamentos são mais avançados e custam de duas a três vezes mais que um aparelho radial de boa qualidade, mas entregam resultados mais precisos e eficazes.

Além disso, é importante saber que equipamentos genéricos, vendidos em sites como AliExpress ou Mercado Livre, não oferecem segurança nem eficácia comprovada. Por isso, é necessário realizar o tratamento com um profissional habilitado, utilizando equipamentos médicos certificados, para garantir o melhor resultado possível.

Comparação entre a onda de choque focal (à esquerda) e a radial (à direita). A focal concentra energia em um ponto mais profundo, atingindo estruturas internas com mais eficiência e menos dor.
Como a onda de choque age no corpo
A onda de choque age no corpo por meio de um processo chamado mecanotransdução, um termo técnico que, de forma simples, significa transformar um estímulo mecânico em resposta biológica. Em outras palavras, quando o tecido é submetido à energia das ondas de choque, certas células do corpo, como as de ossos, músculos e tendões, percebem esse estímulo e reagem, produzindo proteínas e substâncias reparadoras que fortalecem a região. É um efeito semelhante ao que ocorre na musculação, quando o esforço físico estimula o corpo a se regenerar e ficar mais forte.
Além disso, as ondas de choque estimulam a produção de colágeno, aumentam a multiplicação celular e melhoram a circulação local, acelerando a reparação dos tecidos. Esse processo contribui para a cicatrização de pequenas fissuras e rupturas, além de modular a dor e reduzir inflamações crônicas.
É importante reforçar que o tratamento atua na causa da dor, não apenas nos sintomas. No entanto, não é um método milagroso, ou seja, ele não regenera cartilagem nem “cola” estruturas rompidas. Seu objetivo é complementar outros tratamentos do cotovelo, ajudando a evitar a necessidade de cirurgia sempre que possível.
O Dr. Oliver, fundador da Prestige Care, clínica especializada em tratamentos não invasivos e minimamente invasivos, utiliza essa tecnologia com base em ampla experiência tanto cirúrgica quanto conservadora, sempre buscando oferecer o melhor resultado para cada paciente.

Tendinopatias do cotovelo: principais indicações
O Dr. Oliver já tratou praticamente todas as tendinopatias do cotovelo com a terapia por ondas de choque, e os resultados costumam ser excelentes. Entre as mais comuns estão a epicondilite lateral (também conhecida como “cotovelo de tenista”), a epicondilite medial (“cotovelo de golfista”), além das tendinopatias do bíceps e do tríceps braquial.
Mas o que acontece nessas tendinopatias e por que, muitas vezes, a gente precisa da onda de choque para tratar?
A tendinopatia é o termo médico que significa doença no tendão, aquela estrutura fibrosa, de cor branca, que liga o músculo ao osso.

Tendões do cotovelo indicados pelas setas amarelas.
Muitas vezes, uma inflamação crônica ou a falta de fortalecimento leva, com o tempo, ao enfraquecimento e à degeneração do tendão, como dá pra ver nesse modelo anatômico:

Degeneração tendínea em modelo anatômico.
O problema dessas tendinopatias crônicas, que também chamamos de tendinoses, é que o tendão perde resistência. Assim, a circulação na região fica prejudicada, e as fibras de colágeno, que são responsáveis pela firmeza e elasticidade do tecido, diminuem e se desorganizam.

Fibras de colágeno normais (à esquerda) e desorganizadas (à direita).
Com o tempo, essa perda de resistência pode levar à ruptura parcial ou total do tendão.
Exemplos que ajudam a entender a evolução da tendinopatia
Para ilustrar esse processo, costuma-se mostrar exemplos com tendões do joelho, como o quadríceps e o patelar, pois o mesmo mecanismo ocorre no cotovelo. A diferença é que, no cotovelo, a dor e a limitação afetam diretamente atividades simples do dia a dia, desde levantar um copo até apoiar o braço na mesa.

Tendão do quadríceps (acima da patela) e ligamento patelar (abaixo da patela) com aspecto normal na ressonância magnética.

Exemplo de tendões normais e com ruptura. O mesmo processo pode ocorrer no cotovelo.
A onda de choque é uma ótima estratégia para prevenir que o tendão chegue a esse ponto, além de melhorar a dor. Entretanto, quando a ruptura já é grande, como no caso do quadríceps desse exemplo, a solução é cirúrgica. Por isso, é muito importante tratar antes de chegar nesse estágio.
A terapia com ondas de choque reduz a inflamação crônica, estimula a produção de colágeno novo, a multiplicação dos fibroblastos e a formação de vasos sanguíneos. Assim, favorecendo a cicatrização e recuperação do tendão lesionado.
Então, se você tem uma tendinopatia que não melhora mesmo após o tratamento convencional, ou se o exame mostra inflamação e degeneração do tendão, vale a pena considerar a onda de choque.
Epicondilite lateral
A epicondilite lateral causa dor na ponta óssea da parte externa do cotovelo e nas regiões ao redor. Geralmente, o desconforto piora ao levantar o braço com a mão virada para baixo, por exemplo, ao segurar um objeto ou fazer esforço com o punho.

Epicondilite lateral: dor na parte externa do cotovelo.
Epicondilite medial
Já a epicondilite medial causa dor na parte interna do cotovelo, geralmente irradiando para baixo do antebraço. A dor costuma aumentar nos movimentos de puxar ou levantar o braço com a mão virada para cima, como ao carregar sacolas ou fazer exercícios de flexão.

Epicondilite medial: dor na parte interna e anterior do cotovelo.
Tendinopatia do bíceps braquial
A tendinopatia do bíceps braquial costuma causar dor na frente e no meio do cotovelo, próxima à dobra do braço. Os sintomas geralmente acontecem nos mesmos movimentos que agravam a epicondilite medial, mas a dor se concentra mais na parte anterior.

Tendinopatia do bíceps braquial: dor na região anterior do cotovelo.
Entretanto, diferente das epicondilites, que raramente precisam de cirurgia, o tendão do bíceps, quando se rompe totalmente, normalmente exige reparo cirúrgico, e a recuperação costuma ser mais lenta.
Tendinopatia do tríceps
A tendinopatia do tríceps é menos comum que as anteriores e causa dor na ponta de trás do cotovelo. Ela aparece principalmente em pessoas que fazem esforço de empurrar, como atletas de levantamento de peso e praticantes de exercícios de força repetitiva.

Tendinopatia do tríceps: dor na parte posterior do cotovelo.
Nesses casos, a onda de choque também é uma ótima opção de tratamento, ajudando a estimular a cicatrização, diminuir a inflamação e prevenir novas lesões.
Outras condições tratadas com ondas de choque
Além das tendinopatias, a terapia por ondas de choque também pode ser útil em outras condições do cotovelo, como bursites e neuropatias. No entanto, nesses casos, o Dr. Oliver costuma priorizar o uso do laser de alta potência, que oferece bons resultados com menor desconforto para o paciente.
A bursite mais comum nessa região é a bursite do olécrano, que ocorre quando há trauma ou atrito repetitivo na parte posterior do cotovelo. Ela costuma se manifestar como uma bolinha mole e visível sob a pele, resultado do acúmulo de líquido dentro da bursa.

Bursite do olécrano (região posterior do cotovelo com inchaço).
Já as neuropatias são causadas pela compressão de nervos, e a mais frequente no cotovelo é a neuropatia do nervo ulnar no túnel cubital. Essa condição provoca formigamento, dormência e dor na parte medial do antebraço e da mão, podendo comprometer a força e a sensibilidade dos dedos.

Compressão do nervo ulnar no túnel cubital.
O objetivo do tratamento é reduzir a inflamação e estimular a regeneração do nervo. A onda de choque pode ajudar nesse processo, mas sua aplicação nessa área tende a ser mais dolorosa, já que os nervos são estruturas sensíveis. Por isso, o médico geralmente inicia o tratamento com laser, avaliando a resposta do paciente antes de considerar procedimentos mais invasivos, como a cirurgia.
Onda de choque em lesões ósseas
Falando em ossos, a onda de choque funciona ainda melhor, e nesse caso o equipamento indicado é sempre o focal. Isso porque ele consegue entregar energia mais alta e profunda, assim, atingindo diretamente o tecido ósseo.
A aplicação da onda de choque estimula as células ósseas, ajudando na consolidação de fraturas e na recuperação de edemas ósseos.
No entanto, não é indicada para fraturas muito recentes, especialmente quando o paciente acabou de ser operado. Ela costuma ser usada quando o osso não está evoluindo como deveria, para acelerar o processo de cicatrização.
Um bom exemplo é esse caso de fratura por impacção com edema ósseo, que há sete meses não mostrava sinais de consolidação. Veja:

Antes, casos assim precisavam de reoperação e enxerto ósseo retirado da bacia. Mas com a onda de choque, foi possível estimular o osso a “colar” naturalmente, sem cirurgia. Veja a evolução ao longo do tratamento:

Evolução de fratura tratada com ondas de choque: antes e depois.
Osteonecrose: quando o osso “infarta”
A onda de choque também é útil nos casos de osteonecrose, uma condição em que ocorre um “infarto” no osso, fazendo com que parte dele morra por falta de circulação.

Manchas típicas de osteonecrose em ressonância.
Nessas imagens de ressonância, dá para ver as manchas escuras que aparecem dentro do osso, são áreas onde o tecido perdeu irrigação.
Para ter bons resultados, é necessário que o tratamento com onda de choque seja indicado nos estágios iniciais da osteonecrose, antes que o osso se deforme. Pois, depois que ele afunda, mesmo que a necrose melhore, a deformidade pode evoluir para artrose.
Um dos casos tratados pelo Dr. Oliver foi de um paciente com fratura subcondral do fêmur, que continuou forçando e acabou desenvolvendo uma pequena área de osteonecrose.
Ele realizou quatro sessões de onda de choque focal, e esse foi o resultado após dois meses de tratamento:

A onda de choque age exatamente na origem do problema, assim, melhorando a circulação local, fortalecendo o osso e reduzindo a morte celular. Na opinião do Dr. Oliver, ela pode ter resultados até melhores que uma cirurgia, quando usada no momento certo.
A boa notícia é que essas alterações ósseas no cotovelo são bem mais raras do que as tendinopatias. Entretanto, ainda assim, alguns pacientes que operaram fraturas no cotovelo podem apresentar dificuldade de consolidação, e nesses casos a onda de choque também pode ajudar.
Lesões de ligamento, cartilagem e artrose
Agora que você já viu como usamos a onda de choque para tratar tendinopatias e lesões ósseas, vamos falar sobre as lesões de ligamentos, cartilagem e artrose.
Em todos esses casos, é importante entender que a onda de choque não substitui a cirurgia, nem outros tratamentos, como a infiltração de ácido hialurônico. Existem situações em que o médico prefere um tratamento conservador, e outras em que é necessário partir para um procedimento cirúrgico.
A onda de choque não tem a função de regenerar cartilagem, juntar as pontas de um ligamento rompido ou reverter uma artrose já avançada. Mas, ainda assim, ela pode ser muito útil em casos leves ou parciais, ajudando a reduzir a dor, melhorar a função e acelerar o processo de recuperação.
Lesões ligamentares
Nas lesões de ligamento, se a ruptura é completa e o caso é cirúrgico, a onda de choque não traz benefício. Por outro lado, quando há uma lesão parcial do ligamento colateral, o cotovelo está estável, mas o paciente ainda sente dor residual (geralmente causada por uma fibrose ou cicatriz do ligamento), a onda de choque pode ser indicada. Nessas situações, ela atua estimulando o remodelamento do tecido ligamentar, fortalecendo as fibras e, assim, melhorando a resistência local.
Ainda dentro das indicações ligamentares, a onda de choque também pode auxiliar pacientes com artrofibrose após cirurgia. E quanto mais cedo o tratamento é iniciado, melhores são os resultados. Entretanto, se a fibrose já está muito densa e antiga, a única solução acaba sendo o centro cirúrgico.
Cartilagem e artrose
Com essas explicações, fica mais fácil entender quando a onda de choque pode ser usada em casos de cartilagem e artrose.
Em situações como essas, é comum o exame mostrar edema ósseo abaixo da cartilagem, ou até uma osteocondrite dissecante, uma área em que o osso sob a cartilagem perde vitalidade.
No caso da artrose do cotovelo, o mais frequente é encontrar outras causas associadas de dor, como tendinopatias, bursites e edemas ósseos. E são justamente essas alterações associadas que respondem bem à onda de choque, ajudando o paciente a voltar ao seu estado anterior e a ter menos dor.
Um fator positivo é que o cotovelo não é uma articulação de carga, como o joelho ou o tornozelo. Por isso, a chance de melhora com o tratamento conservador é maior, especialmente quando o objetivo é controlar a dor e melhorar a função.
Além disso, o tratamento pode ser associado à infiltração de ácido hialurônico ou ao laser de alta potência, assim, potencializando o efeito analgésico e anti-inflamatório.
O Dr. Oliver Ulson é médico ortopedista, especialista em cirurgia do joelho, professor, mestre e doutorando na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Além disso, ele realiza também atendimentos em seu consultório particular em São Paulo e por telemedicina.



