
Como a onda de choque ajuda no tratamento do joelho
13/11/2025
Lesões na coluna que a onda de choque pode resolver sem cirurgia
13/11/2025Lesões na mão e punho que a onda de choque resolve sem cirurgia
A dor nas mãos ou nos punhos pode parecer algo simples no início, mas quando ela insiste por mais de um ou dois meses, pode indicar algo mais sério. Como inflamações em tendões, articulações ou ligamentos. Nessas situações, muitas pessoas acabam ficando divididas entre o medo de uma cirurgia e o cansaço de tentar diversos tratamentos sem resultado.
Entretanto, nem sempre é preciso recorrer a um procedimento cirúrgico. A terapia por ondas de choque tem se mostrado uma opção para tratar várias lesões da mão e do punho. Assim, ajudando o paciente a recuperar os movimentos e aliviar a dor de forma rápida.
Neste artigo, você vai entender quando esse tratamento é recomendado e por que ele pode ser uma ótima alternativa para quem busca alívio sem cirurgia.
O que é e como funciona a onda de choque
A terapia por ondas de choque foi desenvolvida inicialmente na medicina para um fim bem diferente: quebrar pedras nos rins, em um procedimento chamado litotripsia. Com o tempo, os especialistas perceberam que essa tecnologia poderia trazer benefícios também para outras áreas. E foi assim que ela chegou à ortopedia, tornando-se uma aliada importante no tratamento de diversas lesões musculoesqueléticas.
Diferente do que muitos imaginam, a onda de choque não é elétrica, e sim mecânica. Ela atua gerando pequenos estímulos no tecido lesionado, o que provoca uma série de reações biológicas no organismo. Esses microestímulos estimulam a formação de novos vasos sanguíneos, aumentam a produção de colágeno e ativam o reparo celular. Assim, favorecendo a regeneração natural do corpo.
Esse processo é conhecido como mecanotransdução, ou seja, é quando um estímulo físico (mecânico) é transformado em uma resposta biológica pelas células. É um princípio parecido com o que acontece durante a musculação, o corpo é submetido a um esforço controlado e, em resposta, cria fibras mais fortes e resistentes.
Além disso, a onda de choque ajuda a reduzir inflamações crônicas e modula a dor, proporcionando alívio e melhora funcional de forma progressiva e duradoura.
Equipamentos: onda de choque focal e radial
Existem dois tipos principais de equipamentos usados na terapia por ondas de choque: o radial e o focal. Embora ambos utilizem o mesmo princípio de gerar estímulos mecânicos no tecido, eles atuam de formas bem diferentes.
O equipamento radial é o mais comum nas clínicas e produz uma onda de pressão mais superficial, indicada para tratar regiões próximas à pele ou lesões menos profundas. Já o equipamento focal é o verdadeiro gerador de onda de choque, capaz de alcançar tecidos mais profundos com maior precisão e intensidade, o que o torna mais eficaz em casos que envolvem tendões, ligamentos ou áreas com inflamação crônica.

Equipamento Radial

Equipamento Focal
Dentro dos aparelhos focais, o tipo piezoelétrico é considerado o mais avançado e preciso. Ele direciona a energia de forma muito controlada, alcançando exatamente a área afetada. Por isso, é também o equipamento de custo mais elevado, podendo ser até três vezes mais caro que o modelo radial.
É importante ter atenção: aparelhos baratos ou pistolas de massagem vendidas como “onda de choque” não produzem o mesmo efeito terapêutico. Esses dispositivos não geram ondas mecânicas reais e, portanto, não trazem os benefícios clínicos comprovados da terapia por ondas de choque usada na ortopedia.

Comparação entre a onda de choque focal (à esquerda) e a radial (à direita). A focal concentra energia em um ponto mais profundo, atingindo estruturas internas com mais eficiência e menos dor
Principais lesões tratadas na mão e punho
A onda de choque é uma ótima ferramenta no tratamento de diversas lesões musculoesqueléticas da mão e do punho. Entre as mais frequentes estão as tendinites e tenossinovites, a síndrome do túnel do carpo e outras compressões nervosas, além de casos de artrose, fraturas e lesões ósseas que não cicatrizam adequadamente.
Nos próximos tópicos, o Dr. Oliver explica em detalhes como esse tratamento atua em cada uma dessas condições. Ele também mostra em quais casos indica o procedimento e quando recomenda evitá-lo.
Tendinites e tenossinovites
As mais comuns são as tenossinovites do polegar, como a De Quervain, os dedos em gatilho e as tenossinovites dos flexores do punho.
Mas, o que causa essas tendinopatias e por que, muitas vezes, a gente precisa da onda de choque para tratar?
A tendinopatia é o termo médico que significa doença no tendão. O tendão é aquela estrutura fibrosa, branca, que liga o músculo ao osso. Ele é rico em colágeno tipo I e possui circulação sanguínea limitada, o que dificulta a regeneração natural.

Tendões da mão e do punho indicados pelas setas amarelas.
Muitas vezes, uma inflamação crônica ou a falta de fortalecimento leva, com o tempo, ao enfraquecimento do tendão e à degeneração das fibras.

Degeneração tendínea observada em modelo anatômico.
O problema das tendinopatias crônicas, também chamadas de tendinoses, é que o tendão perde resistência, a circulação diminui e as fibras de colágeno ficam desorganizadas, como você vê a seguir:

Fibras de colágeno normais (à esquerda) e desorganizadas (à direita).
Assim, a onda de choque é importante para prevenir que isso aconteça, além de melhorar a dor.
A ruptura espontânea dos tendões da mão e do punho é rara, mas é muito comum a dor crônica que limita o trabalho, a atividade física e as tarefas do dia a dia. Por isso, o ideal é tratar antes de chegar nesse ponto.
Como a onda de choque pode ajudar
A onda de choque ajuda a reduzir a inflamação crônica e estimula a produção de colágeno novo, a multiplicação de células dos tecidos e o crescimento de vasos sanguíneos, o que acelera a cicatrização, regeneração e recuperação do tendão ou da fáscia doente.
Então, se você tem uma tendinopatia que não melhora há algum tempo, ou se o exame mostra inflamação ou degeneração no tendão, vale a pena considerar a onda de choque ou outros tratamentos complementares.
Tenossinovite de De Quervain
A tenossinovite estenosante de De Quervain afeta os tendões do primeiro compartimento extensor, causando dor na lateral do punho, próxima à base do polegar. A dor piora ao movimentar o polegar, girar o punho ou segurar objetos.

Tenossinovite de De Quervain: dor na base do polegar e lateral do punho.
Tendinite da base do polegar
Outra tendinite que o Dr. Oliver observa com frequência é a tendinite da base do polegar, muito comum em pessoas que usam constantemente o celular ou outros dispositivos tecnológicos. Essa inflamação causa dor na base do polegar e pode ser confundida com rizartrose, e, em alguns casos, ambas coexistem.

Tendinite da base do polegar: dor associada ao uso excessivo de celular ou tecnologia.
Tendinite dos extensores do punho
Quem usa computador ou mouse com frequência tende a desenvolver uma tendinite dos extensores, que causa dor na parte superior (dorsal) do punho, principalmente durante movimentos repetitivos.

Tendinite dos extensores: dor na parte de cima do punho.
Dependendo do tipo de atividade repetitiva, a pessoa pode apresentar dor em apenas um tendão ou em vários deles.
Nesses casos, a onda de choque ajuda a interromper o processo inflamatório, restabelecer a estrutura do colágeno e melhorar a função dos tendões, devolvendo a mobilidade com menos dor.


Terapia por ondas de choque aplicada no punho para tratar tendinites e tenossinovites.
Dedo em gatilho e outras tendinopatias
Em alguns casos, o paciente pode desenvolver o chamado dedo em gatilho, quando surge um pequeno nódulo no tendão, que funciona como um nó emaranhado em uma linha de pesca. Esse nódulo trava o deslizamento do tendão ao passar pelos anéis da bainha, provocando dor e, em estágios mais avançados, travamento do dedo ao dobrar ou esticar.
A onda de choque trata o dedo em gatilho, mas funciona melhor nos estágios iniciais da doença. Nos casos mais avançados, quando o dedo já fica preso ou travado, a liberação cirúrgica costuma ser a opção mais indicada.
Além dessas, existem outras tendinopatias em que a onda de choque pode ser aplicada. A regra geral é que onde há tendão, pode haver tendinopatia ou tenossinovite.
Porém, o tratamento tem melhor resultado nas tendinopatias crônicas, aquelas em que a inflamação já é persistente. Quando a dor ainda está muito intensa, aguda ou recente, o laser de alta potência pode ser uma opção mais adequada.
Vale lembrar que a onda de choque também ajuda a diminuir inflamações de sinovites e neuropatias, mas em alguns desses casos o Dr. Oliver prefere iniciar com o laser, justamente para reduzir o desconforto e preparar o tecido para o tratamento seguinte.
Síndrome do túnel do carpo, túnel cubital e outras neuropatias
As neuropatias periféricas mais comuns dos membros superiores que causam formigamento e dor na mão são a síndrome do túnel do carpo e a síndrome do túnel cubital, que afetam os nervos mediano e ulnar, respectivamente.
A síndrome do túnel do carpo comprime o nervo mediano nesta região do punho e causa formigamento e dormência nessa área em verde, que envolve o polegar, indicador e médio.

Já na síndrome do túnel cubital, a compressão do nervo ulnar ocorre na parte medial (interna) do cotovelo, irradiando formigamento e dor nessa região em vermelho, que alcança o dedo mínimo e metade do anelar.

Compressão do nervo ulnar na parte interna do cotovelo.
O objetivo do tratamento nesses casos é diminuir a inflamação do tecido que está comprimindo o nervo e também reduzir a inflamação do próprio nervo, além de estimular sua regeneração.
Porém, é importante saber que a aplicação de ondas de choque nessas áreas pode ser dolorida, por isso, o Dr. Oliver costuma iniciar o tratamento com o laser de alta potência, que ajuda a controlar a dor e o inchaço, antes de considerar a cirurgia.
Doença de Dupuytren
Ainda falando de partes moles, a onda de choque pode ser usada também nos estágios iniciais da doença de Dupuytren, ajudando a remodelar o tecido conjuntivo em formação, potencializar os alongamentos e recuperar parte do movimento perdido.
A moléstia de Dupuytren é uma condição em que tecidos fibrosos se formam na palma da mão, criando nódulos que encurtam a fáscia e dificultam a extensão dos dedos. É uma doença bem diferente do dedo em gatilho, embora ambas deixem o dedo dobrado. Enquanto o dedo em gatilho trava o tendão na bainha, o Dupuytren cria uma corda fibrosa sob a pele que limita o movimento.

Nódulos fibrosos e retração palmar típicos da doença de Dupuytren.
Como o Dr. Oliver destaca, ele gosta de ser honesto e transparente com seus pacientes: o nível de evidência científica para indicar a onda de choque em algumas dessas doenças é menor. Mas existe recomendação pela Sociedade Internacional de Ondas de Choque, e ele mesmo já observou bons resultados clínicos em seus pacientes.
Nos casos mais avançados de neuropatias, Dupuytren ou dedo em gatilho, a cirurgia é o tratamento mais garantido e indicado. Mas, ainda assim, a onda de choque e o laser de alta potência podem ser usados no pós-operatório, para acelerar a recuperação e diminuir a rigidez.mesmo à ruptura do tendão.
Lesões ósseas e edemas do punho
Agora, vamos falar sobre as lesões ósseas que a onda de choque ajuda na recuperação. E depois sobre como ela pode ser usada em casos de artrose.
Quando o assunto é osso, a onda de choque funciona ainda melhor. Nesses casos, o equipamento indicado é sempre o focal, porque ele consegue entregar energia mais alta e profunda, chegando até o interior do tecido ósseo.
A onda de choque estimula a consolidação de fraturas e edemas ósseos, atuando diretamente sobre as células formadoras de osso.
Entretanto, ela não é indicada para fraturas muito recentes, principalmente após uma cirurgia. Mas quando a recuperação está lenta, pode ser usada para acelerar o processo de cicatrização. Como por exemplo esse caso de fratura por impacção e edema ósseo no fêmur, que também é bem comum depois de trauma no punho. Veja:

E, nesse outro caso, uma fratura sem sinais de consolidação após 7 meses, algo que também acontece com frequência em fraturas do escafóide.

Antigamente, esses casos precisavam de nova cirurgia e enxerto da bacia, mas hoje, com a onda de choque, muitas vezes é possível “colar o osso” sem cirurgia, como mostra a evolução radiográfica do tratamento.

Osteonecrose
A técnica também é útil nos casos de osteonecrose, que ocorre quando há um infarto ósseo. Ou seja, uma parte do osso perde irrigação e morre. No punho, o osso mais afetado é o semilunar, causando a doença de Kienböck.

Comparativo de punhos mostrando semilunar normal e com necrose.
O tratamento deve ser iniciado nos estágios iniciais da osteonecrose, antes que ocorra deformação ou colapso do osso. Mesmo que a necrose seja controlada, se o osso já afundou, isso pode levar à artrose grave do punho.
Lesões de ligamentos, cartilagem e artrose
Agora que você já viu como a onda de choque atua nas tendinopatias e lesões ósseas, vamos falar sobre três tópicos mais controversos e frequentemente mal compreendidos: as lesões ligamentares, de cartilagem e a artrose.
Em todos esses casos, a onda de choque não substitui a cirurgia nem outros tratamentos, como o ácido hialurônico. Por isso, o médico precisa avaliar cada caso individualmente.
A onda de choque não regenera cartilagem, não une ligamentos rompidos e não reconstrói articulações destruídas pela artrose. Mesmo assim, o médico pode indicá-la em alguns casos, nos quais ela traz ótimos resultados clínicos.
Nos casos de lesões ligamentares, se a lesão é cirúrgica, a onda de choque não resolve. Mas em lesões parciais, quando o ligamento já cicatrizou, mas o paciente continua com dor (geralmente por cicatrização incompleta ou edema ósseo residual) a onda de choque pode ajudar a remodelar o tecido e melhorar sua resistência.
Ela também pode ser útil em casos de artrofibrose pós-cirúrgica, mas o ideal é indicar precocemente. Pois com o tempo a fibrose se torna mais densa e o tratamento conservador perde eficácia.
Nos casos de lesões de cartilagem e artrose, é comum observar edema ósseo subcondral ou até osteocondrite dissecante. Na artrose da mão, frequentemente há associação com tendinopatias e sinovites, que são as verdadeiras fontes de dor, e essas, sim, respondem bem à onda de choque.
O tratamento pode ser associado ao uso de órteses, talas, ácido hialurônico e laser de alta potência. Principalmente em casos agudos de entorse, luxação ou osteoartrite inicial. Além disso, o laser de alta potência, em especial, funciona muito bem em lesões agudas, como entorses, luxações e quadros recentes de inflamação articular.
Rizartrose
A rizartrose é a forma de artrose mais incapacitante das mãos, porque o polegar representa até 50% da função manual. Ela é muito comum após os 50/60 anos, especialmente em mulheres.

Localização da dor na rizartrose da base do polegar, onde ocorre o desgaste da articulação.


Comparativo de RX mostrando uma articulação normal e outra com artrose da base do polegar.
Note que a região afetada é a mesma daquelas tendinites por uso excessivo do celular, o que confunde muitos pacientes, e, por isso, faz com que alguns passem por cirurgia sem necessidade.
Por isso, o Dr. Oliver considera a onda de choque e o laser de alta potência ótimas opções conservadoras. Ele recomenda tentar esses tratamentos antes da cirurgia, sempre com acompanhamento médico especializado.
O Dr. Oliver Ulson é médico ortopedista, especialista em cirurgia do joelho, professor, mestre e doutorando na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Além disso, ele realiza também atendimentos em seu consultório particular em São Paulo e por telemedicina.



