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Se você sente dor no quadril ou na pelve a semanas ou meses e não vê melhora, pode estar preocupado com a ideia de uma cirurgia.
Neste artigo, vou te mostrar uma solução eficaz e prática para aliviar essa dor e te ajudar a voltar às suas atividades com mais liberdade. Entenda quais lesões são indicadas para o tratamento com ondas de choque e muito mais!
Então o que é uma onda de choque?
A onda de choque é uma onda mecânica e acústica de alta energia, não é um choque elétrico. O nome vem da física, mas costuma gerar confusão e até ser usado de forma enganosa.
Seu uso médico começou na litotripsia extracorpórea, para fragmentar pedras nos rins. Com o tempo, estudos mostraram benefícios também na ortopedia, onde a técnica passou a ser empregada para estimular a cicatrização, reparação e regeneração de tecidos, especialmente tendões e ossos.
Existem basicamente dois tipos de equipamentos do mercado: o focal e o radial.
Onda de choque radial
A onda de choque radial, o equipamento da imagem, na realidade não é uma onda de choque de verdade, o termo correto é “onda de pressão”.

Geralmente é um equipamento pneumático que faz essa onda e por ser um equipamento mais simples e barato é o mais comum de encontrar. O ideal é não confundir com equipamentos de massagem.
Onda de choque focal
O outro equipamento de onda de choque que existe é o equipamento de ondas de choque focal, essa é a verdadeira onda de choque.

Atualmente, a maioria dos equipamentos focais no Brasil é piezoelétrica, como o que utilizo na clínica.
Muitos acreditam que todos os aparelhos de onda de choque são iguais, mas não são.
Os piezoelétricos custam de duas a três vezes mais que os modelos radiais de boa qualidade e as diferenças entre eles vão muito além do preço.

Como percebemos na imagem, a energia da onda focal se concentra em um ponto mais profundo, abaixo da pele. Isso permite aplicar mais energia, com maior profundidade e menos dor.
Já na onda radial, a energia é mais forte na superfície e vai se dissipando, o que causa mais incômodo, porque a pele é a região mais sensível do corpo. Para você conseguir “ver de verdade” a onda, os dois equipamentos estão em comparação lado a lado.

O que as ondas fazem de verdade no nosso corpo?
Um dos principais efeitos da onda de choque é a mecanotransdução. Algumas células do corpo, como as do osso, músculo e tendão, respondem a estímulos mecânicos produzindo mais proteínas e se reparando.
De forma simples, é como na musculação: o músculo recebe carga, reage e fica mais forte. A onda de choque faz algo semelhante, estimulando a regeneração em diferentes tecidos.
Ela estimula a produção de colágeno, a regeneração de tendões e ligamentos e melhora a circulação, acelerando a recuperação dos tecidos. Além disso, ajuda a reduzir dor e inflamação crônica.
Por seu efeito mecânico de alta intensidade, a onda de choque pode liberar pontos de contratura muscular, fragmentar calcificações tendíneas e estimular a regeneração óssea.
Os primeiros usos na ortopedia foram justamente para tendinopatia calcária e consolidação óssea, sendo eficaz também em casos de edema ósseo, osteonecrose, fraturas por estresse e pseudoartroses (fraturas que demoram a consolidar).
A onda de choque, na maioria dos casos, trata a causa da dor, não apenas alivia os sintomas. O foco é curar, não só mascarar a dor. Não é um tratamento mágico. Funciona muito bem na maioria das queixas do quadril, mas não em todas.
Ela complementa outros tratamentos, eu ainda indico cirurgias ou infiltrações com ácido hialurônico quando necessário. Apesar de ser cirurgião, fundei a Prestige Care, uma clínica focada em tratamentos não invasivos e minimamente invasivos. Isso me permite avaliar com clareza quando realmente é preciso operar e quando dá pra resolver sem cirurgia.
Lesões em específico em que usa onda de choque no quadril e pelve
Usamos a terapia por ondas de choque no tratamento de praticamente todas as tendinopatias do quadril, das mais comuns, como as do glúteo médio e mínimo, piriforme, isquiotibiais e adutores, até as menos frequentes, como as do glúteo máximo, reto femoral, iliopsoas e rotadores externos.
Afinal, o que acontece nesses casos e por que a onda de choque é tão útil?
A tendinopatia é o termo médico para doença do tendão, e engloba tanto a tendinite (inflamação) quanto a tendinose (degeneração).
O tendão é a estrutura fibrosa que conecta o músculo ao osso e quando sofre sobrecarga ou microlesões repetidas, pode causar dor e limitação de movimento. A onda de choque estimula a regeneração do tecido e alivia a dor, ajudando na recuperação funcional.

Muitas vezes uma inflamação crônica ou falta de fortalecimento, leva com o tempo ao enfraquecimento do tendão e sua degeneração. Como vemos nesse modelo anatômico:

O problema dessa tendinopatia crônica, que pode ser chamada de tendinose, é que o tendão perde a sua resistência. A circulação fica prejudicada e as fibras de colágeno perdem a quantidade e qualidade delas, elas ficam desorganizadas como vemos nessas imagens.

Com o tempo, essa perda de resistência do tendão pode evoluir até uma ruptura.
Qual a tendinopatia mais comum no quadril?
A tendinopatia mais comum do quadril é a do glúteo médio e mínimo, eu mesmo já tive e sofri com ela por anos. Foi justamente essa experiência que me levou a testar a terapia por ondas de choque pela primeira vez.
Os resultados foram tão bons que acabei adquirindo o equipamento para a clínica. Por isso, vou começar falando sobre a tendinopatia do glúteo médio e mínimo, usando-a como exemplo para entender melhor as demais.

Eles são muito importantes para dar estabilidade na bacia e manter o alinhamento correto da coluna e perna, quando apresentam alguma lesão causam dor na lateral do quadril.


A onda de choque é fundamental não só para aliviar a dor, mas também para evitar que a lesão evolua para uma ruptura.
Quando isso acontece, muitas vezes é preciso cirurgia para refixar o tendão ao osso, por isso, é essencial tratar corretamente antes que o quadro piore. Com o início precoce do tratamento, é possível reverter o processo inflamatório e regenerar o tendão.
Exemplo de caso tratado
Um caso de uma paciente que tratei: após as sessões de onda de choque, o edema e a inflamação desapareceram completamente.

Costumo indicar a onda de choque para casos de lesões não transfixantes, ou seja, aquelas em que o tendão ainda não está completamente rompido. Nessas situações, o tendão permanece fixo ao osso, e a terapia ajuda a cicatrizar fissuras, estimular a regeneração e fortalecer as fibras remanescentes.
Lesões transfixantes
Em casos de pequenas lesões transfixantes, especialmente em pacientes mais idosos com boa função do quadril e que preferem evitar cirurgia, o tratamento também pode ser realizado, mas exige acompanhamento rigoroso com exames e expectativas realistas quanto ao resultado.
A onda de choque atua reduzindo a inflamação crônica, estimulando a produção de colágeno, a multiplicação das células do tendão e o aumento da circulação local, o que favorece a cicatrização e recuperação do tecido.
Se você tem uma tendinopatia que não melhora com o tempo ou com o tratamento convencional, e os exames mostram inflamação ou degeneração do tendão, vale a pena considerar a terapia por ondas de choque.
Esse método não se aplica apenas aos tendões do glúteo médio e mínimo, ele também é eficaz em outras tendinopatias do quadril, como as dos isquiotibiais, músculos localizados na parte posterior da coxa que se fixam na base da pelve.
Nesses casos, a dor costuma surgir abaixo do glúteo e piorar ao sentar ou estender o quadril.



Vale também para tendinopatia dos adutores e a própria pubalgia, que causam dor na parte interna da pelve, como você consegue ver nessa imagem:


Pubalgia e a tendinopatia dos adutores
A pubalgia e a tendinopatia dos adutores, é mais para dentro ainda do que a região da articulação do quadril. Na parte da frente do quadril, geralmente pode ser uma tendinopatia do reto femoral, iliopsoas ou sartório, é claro, se não for o caso de uma artrose.

É possível tratar essas tendinites com onda de choque, assim como a síndrome do piriforme e a dor glútea profunda, que afetam os músculos pequenos profundos que ficam atrás do quadril, na região da nádega, mais para cima dos isquiotibiais.


É importante lembrar que as tendinopatias mais profundas, como as dos isquiotibiais, piriforme e rotadores externos, não respondem bem à onda de choque radial, pois esse tipo de equipamento não alcança camadas tão profundas devido à presença de muito tecido mole.
Nesses casos, o melhor resultado é obtido com o equipamento focal, que permite concentrar a energia em regiões mais profundas do tendão. Além disso, algumas tendinopatias podem apresentar depósitos de cálcio dentro do tendão, conhecidas como tendinopatias calcárias.


Um dos primeiros usos das ondas de choque na ortopedia foi justamente no tratamento das tendinites calcárias, e há diversos estudos comprovando sua eficácia.
Aqui está um exemplo de caso clínico que tratei: nas imagens da esquerda, é possível ver a mancha branca no raio X, correspondente à calcificação; já nas imagens da direita, após o tratamento, essa área desaparece completamente.

Calcificações nos tendões
As calcificações nos tendões podem irritar os tecidos ao redor e causar dor intensa, às vezes até incapacitante.
A tendinite calcária geralmente passa por duas fases: uma fase crônica, em que a calcificação se forma e a dor é leve, e uma fase aguda, quando o corpo tenta reabsorver o cálcio, provocando dor mais forte.
Essas lesões podem persistir por anos se não forem tratadas. Felizmente, a onda de choque focal oferece ótimos resultados, sua alta energia fragmenta a calcificação e estimula o organismo a reabsorvê-la. Embora nem todos os pacientes eliminem completamente a calcificação, a maioria apresenta grande melhora da dor e da função, recuperando qualidade de vida.
Bursite
Falando ainda sobre tendinopatias, é importante lembrar que a onda de choque também é muito eficaz no tratamento das bursites e das síndromes miofasciais, duas condições que frequentemente acompanham as lesões tendíneas.
A bursite é a inflamação da bursa, uma pequena bolsa cheia de líquido que reduz o atrito entre ossos e tendões. No quadril, as bursas mais acometidas são as que ficam próximas ao glúteo médio e mínimo e aos isquiotibiais. Essa inflamação pode causar dor, especialmente quando apoia sobre ela.
Na maioria das vezes a bursite não é o grande problema, mas sim uma consequência da lesão do tendão e sobrecarga no local.

Ao tratar as tendinopatias, tratamos também as bursites associadas. Mas nas fases agudas, com dor recente ou mais intensa, prefiro usar o laser de alta potência, uma tecnologia mais moderna que a onda de choque, com excelente respaldo científico e ótimos resultados clínicos.
Não confunda com o laser de baixa potência usado na fisioterapia. Estamos falando de um laser médico de alta potência (classe 4), que exige aplicação por profissionais habilitados devido à sua maior intensidade e responsabilidade no uso. Esse tipo de laser tem efeito analgésico, anti-inflamatório e estimula a cicatrização e regeneração dos tecidos.
Uma de suas grandes vantagens, especialmente em casos agudos, é que não causa dor durante o tratamento. Por isso, ele complementa muito bem a terapia por ondas de choque, e recentemente adquiri um equipamento desses para a clínica.
Antes de entrar no assunto sobre o tratamento das lesões ósseas, falaremos de mais uma indicação muito boa para as ondas de choque.
As síndromes dolorosas miofasciais
Essa síndrome é muito comum. É um tipo de dor em que geralmente sentimos um ponto de agulhadas com sensação de ardor ou queimação irradiada. Muito comum nos músculos das costas e, no caso do quadril, no trato iliotibial.
Muito normal sentir quando trabalha muito e fica estressado ou ansioso.
Na síndrome miofascial, forma-se um ponto de contratura no músculo. Esse espasmo persistente reduz a circulação local, causando inflamação e dor. Popularmente, esses pontos são conhecidos como “nós musculares” ou “pontos gatilho”.

A partir desses pontos-gatilho, o paciente sente uma dor em queimação que se irradia pelo músculo e pelas fáscias musculares, aquelas membranas brancas que envolvem o músculo, semelhantes às que vemos em uma peça de carne.
A onda de choque é altamente eficaz nesses casos, pois o impacto mecânico ajuda a desfazer as contraturas, além de reduzir a inflamação e estimular a circulação, acelerando a recuperação.
Como essas contraturas tendem a se repetir, é essencial corrigir as causas, geralmente postura inadequada, falta de alongamento e fortalecimento ou fatores emocionais.
Síndrome do trato iliotibial proximal
Na região do quadril a mais conhecia é a síndrome do trato iliotibial proximal, que com muita frequência acontece junto com a tendinopatia do glúteo médio e mínimo e a bursite trocantérica.

Isso acontece porque o músculo com contratura é o tensor da fáscia lata (indicado pela seta laranja), e a dor se propaga ao longo da fáscia lata e do trato iliotibial, a estrutura amarela que se estende até o joelho.
O conjunto desses sintomas é conhecido como síndrome trocantérica dolorosa, termo usado para descrever as dores na lateral do quadril, que podem receber diferentes nomes, mas representam o mesmo problema.
Mais importante do que o nome é saber que todas essas dores podem ser tratadas com a terapia por ondas de choque. Muita gente confunde essa dor com a ciatalgia, mas são condições diferentes e, infelizmente, até alguns profissionais ainda cometem esse erro.
Como é feito o tratamento das lesões no osso?
A onda de choque focal é sempre a melhor indicação para o tratamento das lesões no osso, porque ela consegue entregar uma energia mais alta e profunda dentro do osso.
No caso das lesões ósseas, a onda de choque estimula as fraturas e edemas ósseos à consolidação, diretamente nas células ósseas. A onda de choque não é indicada para um osso que acabou de quebrar, principalmente se o paciente operou, mas se não está evoluindo como deveria, podemos usar a onda de choque para consolidar.
Como por exemplo: esses dois casos de fraturas do úmero e da tíbia, que operaram, mas mesmo assim o osso não consolidou depois de 7 meses.


Outras indicações para a onda de choque no quadril são os casos de edema ósseo e osteonecrose.
Osteonecrose
A osteonecrose é quando acontece um infarto no osso e uma parte dele morre:


Para indicar a onda de choque nas osteonecroses precisa indicar nos estágios iniciais da doença, antes de levar à deformação do osso, porque senão, mesmo que consiga tratar a necrose, o osso continua afundado, deformado e isso ainda sim leva à artrose no ombro.

Nesse outro caso é de um edema ósseo no joelho associado à uma fratura e pequena área de osteonecrose, olha como foi a evolução depois de 4 sessões e dois meses de tratamento.

A onda de choque funciona muito bem nesses casos, e na minha opinião melhor que uma cirurgia, pois age exatamente onde é no problema: na falta de circulação, fragilidade óssea e morte celular.
O uso da onda de choque na artrose do quadril
A terapia por onda de choque ainda não tem evidências de regenerar a cartilagem nem de reverter a artrose do quadril. Mesmo assim, pode ser indicada em alguns casos, com bons resultados e alta satisfação dos pacientes.
Isso porque, além da artrose, o quadril pode apresentar outras causas de dor, como tendinopatias, bursites, fraturas por insuficiência, edema ósseo ou contraturas musculares, que respondem bem à onda de choque, proporcionando alívio significativo.
O tratamento pode ainda ser potencializado com o uso de ácido hialurônico ou laser de alta potência, que têm boa eficácia no manejo clínico da artrose.
Sou o Dr. Oliver Ulson, médico ortopedista, membro da sociedade brasileira de ondas de choque, com mais de 4.000 sessões desse tratamento nos últimos anos.
Para saber mais sobre ondas de choque e sua indicação, acesse o canal do YouTube do Dr. Oliver Ulson.



